Josi character

O desafio desse semestre é ter um jogo rodando bonitinho, pronto para umas jogadas iniciais que dêem uma boa noção do que é, que durem uns 5min de diversão. Ter estudado em uma universidade que agrega faculdades de artes e tecnologia em um único campus é uma facilidade pra montar uma equipe (depois de vender o peixe..), ainda mais em uma época em que os docentes requerem jogos como parte da avaliação. Me faz um bocado otimista!

Esse é um teste de animação de um dos personagens jogáveis. Ainda no photoshop.

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The set goal this semester is get a minigame working fine for at least 5 minutes of fun play. The campus I’ve studied at unites three faculties, and finding art and technology people together to form a production team is not that hard (after you convince them of what to produce..), teachers are starting to ask for games as part of course’s grading, and I feel a bit optimistic about this project.

This is a screenshot for one of the playable character’s walking animation, still on photoshop.

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Dias 4 a 6 de fevereiro o Savannah College of Art and Design e outras várias instituições promoveram um encontro absurdo de gamedesigners, críticos e figuras da game industry para discutir e colocar pontos sobre a “natureza artística” dos jogos. No Schedule, todos os nomes relevantes – Ian Bogost, Michael Nitsche, John Sharp, John Romero, Jesper Juul, Frank Lantz, Celia Pearce, Nathalie Pozzi, Eric Zimmerman, Tale of Tales, Brenda Brathwaite.

Sobre considerar ou não jogos como arte, Frank Lantz aponta um risco de “domesticação”. Jogos acontecem todo o tempo, com regras implícitas que mudam de grupo a grupo, momento a momento.  Pelo que o rapaz diz, a ‘arte’ teria que mudar para acomodar ‘jogos’.

Muito mais coisa podia ser encontrada só por uma procura #AHoG no twitter, os links permanentes continuam funcionando:

Gamasutra – The Art History… Of Games? Games As Art May Be A Lost Cause

Game Set Watch – Art History Of Games: Avoiding The ‘Domestication’ Of Game Art

Chungking Espresso – Art History of Games Recap

Já o Game Developers Conference (San Francisco) 2010 foi de 9 a 13 de março, e muito material da conferência pode ser encontrado na internet. Interessante pra pequenos desenvolvedores é assistir à premiação do Independent Games Festival—IGF (vídeo no GameSpot) e saber que as inscrições foram massivas, principalmente da parte de estudantes: 172. MONACO foi o meu preferido (apesar de Limbo parecer igualmente bonito) por ser um multiplayer cooperativo com gráficos muito simples construindo perfeitamente o efeito de um stealth game. O trailer:

GDC Vault tem ainda várias palestras completas em ótima qualidade, recomendo o ArtGames Sessions; no SlideShare começaram a aparecer algumas coisas também, incluindo um curso completo de LevelDesign.

Scrabble @DeCal

Na descrição de um programa de especialização que não consigo encontrar agora, li a pérola “x funciona tão bem porque é estimulada a troca de conhecimento entre os alunos, eles aprendem uns com os outros”. Essa trilha uma hora ou outra acabaria no DeCal – Democratic Education at Cal, da Universidade da California, Berkeley. Outra idéia não muito nova com um histórico de no mínimo 30 anos, também por isso tão avançada: o programa oferece apoio de departamentos regulares a estudantes que queiram inscrever seus cursos gratuitos, seja qual for o assunto (estudos de cultura pop por James Bond, “música de câmara para a diversão”, justiça social judia, saúde dental e bucal, história da Terra-média, dança chinesa…), com acompanhamento docente e um comitê próprio muito bem humorado.

Começando como uma experiência, se pensar bem, não é tão custoso: nada que não aconteça já em encontros de estudantes para estudantes; em oficinas livres. A diferença fica no reconhecimento e apoio da instituição – que não deve lá ter muitos porquês de recusar um projeto que faz sucesso, se ele fizer. Assinar um projeto prafrentex sem gastos extra e grandes deslocamentos docentes é uma coisa; se comprometer com uma coisa que no primeiro momento pode parecer uma bagunça (“é uma anarquia isso aqui!”) e arriscar os nomes sagrados dos prédios é outra. Será que se o exército das forças revolucionárias destacar 10% das suas forças pra reclamar e pedir e dividir os outros 90% em coisas pra fazer consegue um salto para o status de “DeCal”, 30 anos em 3?

Mais pra frente (ou seja, quando eu souber melhor): coisas bonitas em português, a Escola da Ponte e a Amorim Lima.

Nos domínios da matemática, a divisão regular do plano foi abordada teoricamente, já que ela faz da cristalografia. Isso significa que ela é uma questão exclusivamente matemática? Na minha opinião, não. Cristalógrafos adiantaram uma definição da idéia, eles averiguaram quais e quantos sistemas ou caminhos existem para dividir um plano de maneira regular. Fazendo assim, eles abriram o portão que conduz a um domínio extenso, mas não entraram eles próprios nesse domínio. Pela sua própria natureza, eles estão mais interessados na maneira de abrir o portão do que no jardim que repousa para além dele.

[…]

Essa explicação não procura dar a conhecer ao leitor todos sistemas; os cristalógrafos, que são neles especializados, os estudaram e catalogaram as suas variantes e características. Não considero ser necessária a familiaridade com todos os detalhes da arte gráfica para que alguém se torne um colecionador de gravuras; de igual maneira, não penso que alguém deva se embrenhar em todos os princípios teóricos da divisão do plano de maneira a apreciá-la a e assim aceitar que ela pode servir como uma fonte inspiração, como faz para mim.

Tradução incompleta, mas bem vinda, deste site.

Annunciation to the Virgin

Anunciação, Fra Angelico. Ter asas e ser bonito ajuda.

Boas notícias deveriam sempre ter bons meios, bons anunciadores. Ontem foi a apresentação de Kino pra faculdade (de uma forma ou outra…), como Trabalho de Conclusão de Curso. Correu tudo bem, como geralmente ocorre entre amigos, mas meu medo não é o de trombar com alguma insuficiência técnica, imprecisão de conceitos, incongruência de idéias. Essas coisas a gente conserta em meia hora do lado de algum professor; as cores, a disposição, o palavreado. O material era escasso, mas agora que não há nada ocupando as manhãs, mestre Carlos vai me ver esculpir mais do que São Franciscos; tenho planos de domar o pincel e fazer cartas decentes; Zezinho me ensina a fazer caixas, a entender a madeira; o tabuleiro que esqueci na faculdade tem que ser substituído por um melhor. Coisa de meses.

O problema em “defender” Kino é estar invadido por uma idéia fixa, apaixonada. Eu com certeza acredito na coesão da pesquisa, na importância do assunto e nas boas possibilidades despencam aos montes a partir do momento em que alguém acredita nelas. Acontece que sou má oradora. Então fico torcendo por não ter estragado a graça da coisa por tentar explicar, espero realmente que as pessoas tenham percebido isso só como aquele embrulho pardo de um presente legal. Tento me redimir por aqui; vejam o Sir Robinson, procurem o Damazio, leiam o Huizinga, deitem-se com o sr. Lewis, acordem com uma historinha curta do sr. Sahlins, saiam pra beber e dançar, tenham um jardim, massageiem-se, andem como se fossem girafas, reconheçam seus grandes amigos e tomem um café com o prof. Olympio. Isso tem que dar certo.

refilar

colar

costurar

encapar

refazer

Assim foi com os quatro relatórios. Queria ter uma versão pra mim, mas acho que nessa altura do campeonato seria um “paperback”. Pra quem quiser acessar, a partir de agorinha está também no Issuu e no Scribd.

Boa leitura!

I like to read, I like to exercise, I love to have beautiful things around me. Now and then I tend to take on a book about beauty, and more often than not it is also related to pictorial art. That bothers me a bit on the point that I sense people being able to “produce” beauty just by being around comfortably on their own*. Moving or staying still, just doing whatever it is they do. One of the few passages I remember on it is, again, Serre’s – when he speaks of the beauty of a football team working together, sensing each other. The other is Lacan’s, where he puts everyone in the spot as a potential dancer. Great music, painting and football critics are not always great musicians, painters or players. But I find it difficult to jump on someone talking about the beauty of a well given iriminage or a well delivered mawashi-geri. The first is an aikido entrance towards the opponent, that, at the moment of touch (not impact) gives way and changes direction, so the attacker can still use his force, but it is redirected to a place where he loses balance (as one sensei describes it, “please, fall”); the next is a karate circular kick that, as everything else, works as a rubber band released from the hips, loose at the begining but firm and connected to the ground when it hits. Both stunningly beautiful, gentle and precise; but unsung. Is it because they adress to a conflict between two or more individuals who may hurt (or kill) each other, rather than a colourful depiction of the stars at night? It should make it even more beautiful, as they choose, at the very end, not to do the damage they could so easily inflict. Shouldn’t it?

iriminage

mawashi geri

mawashi geri

I like to imagine what people who are good martial artists can do. Not breaking boards or bones or dealing with five attackers at a time, but keeping up to an agressive environment, adapting and molding to another person and solving it beautifully. A clean cut, a precise step, a light stance. All done without a grunt, without error, without struggle – total control of body and intention, no tensing up, no wrinkled eyebrows.

As people go about brush strokes, I could go about a step forward on one opponent’s way. But better writers  are already doing this on their blogs (here, here and here), for free. The point of this post – what interests me so that I wanted Kino to have – is this feeling of bodily awareness and freedom that I find within the martial arts, together with the way someone achieves it – raw practice, study, zen-like state, fidelity and sincerity, etc. It is serious stuff, still there are countless masters who are as funny as they are rigorous, treating their students like dogs and sons alike. I hope I can get it to someone, someday.

*It is clear that this zone of comfort takes a lot to reach. When we see a ballet dancer smiling at the audience while having her back twisted and legs stretched so far it looks like it’s going to break, she’ll tell you that is 100%, but it isn’t all. 130% is what happens on closed doors in front of the mirror, where she isn’t smiling because it is not comfortable.

Eu já vi paisagens… que, sob uma certa luz, me fazem sentir que a qualquer momento um gigante pode levantar a cabeça por cima do próximo cume.

É um pouco confuso quando se está acostumado a encontrar um autor em uma prateleira, ele aparecer em outra muito distante. Não só porque Narnia agora tem cinco mil edições, mas por me avisarem da afinidade dele com William Blake e Tolkien e John Milton. Ando à caça de mais textos (grátis!) dele, já que esse fragmentozinho (lido por Martin Evans, no podcast “Literature of Crisis”) me ajudou bastante com o termo “compaixão”, e porque ela cai bem num jogo em que você se melhora se desenvolvendo em bases que não são as suas costumeiras.

Eu continuo assumindo que, se você remover das pessoas as coisas que as fazem diferentes, o que sobra é o mesmo. E que o coração humano certamente parecerá constante e universal e permanente se você ignorar suas mudanças. Mas chego a duvidar se o estudo desse mero denominador comum é o melhor que um estudante pode colocar à frente de si. Felizmente existe uma maneira melhor. Em vez de tirar do cavaleiro sua armadura, você pode tentar vestí-la em você mesmo (…). Eu gostaria muito mais de saber como eu me sentiria adotando as crenças do filósofo romano Lucrécio do que como Lucrécio se sentiria se ele nunca as tivesse. O Lucrécio possível em mim me interessa mais do que o possível C.S. Lewis em Lucrécio.

Para desfrutar de nossa humanidade temos que conter em nós todos os modos de sentir e pensar pelos quais a raça humana já passou. E o que te torna capaz disso é o estudo das humanidades.”

Mais, só no relatório!

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“I have seen landscapes … which, under a particular light, make me feel that at any moment a giant might raise his head over the next ridge.”

“I continue to admit that if you remove from people the things that make them different, what is left would be the same.
And that the human heart will certainly appear as unchanging and universal and permanent if you ignore its changes.
But I have come to doubt whether the study of this mere lowest common denominator is the best end a student can set before him of herself. Fortunately there is a better way. Instead of stripping the knight off his armor, you can try to put his armor on yourself (…). I would much rather know what I should feel like if I adopted the beliefs of the roman philosopher Lucretius than how Lucretius would have felt if he’d never entertained them. Th e possible Lucretius in me interests me more than the possible C.S. Lewis in Lucretius.
To enjoy our humanity we ought to contain within us all the modes of feeling and thinking through which the human
race has past. And what allows you to do that is the study of the humanities.”

Eu dei muita sorte, muita sorte, de estagiar num lugarzinho assim. Enquanto a gente está na escola (na “academia”) estudando coisas super prafrentex pra depois se chocar com novelinhas, lugarezinhos e programazinhos que então você descobre que são do século passado, parece que o SESC consegue ser um dos únicos pontos onde coisas muito abstratas como incentivo fiscal, hierarquia difusa, educação não-formal, turismo social, e outros monstrinhos se mostram de um jeito tranqüilo, sem muito palavreado, asseado e receptivo.

 

descalçando

 

Direto pro repertório do TCC, veio a exposição “Proibido não Tocar”, do Bruno Munari e a Semana da Educação – que o SESC me fez o grande favor de hospedar a parte de educação primária. Os dois se voltavam para crianças pequenas, o primeiro se voltou a elas deixando que subissem, pintassem, juntassem e separassem quase tudo, é incrível ver o fôlego do pessoalzinho quando entra na exposição – ao mesmo tempo um pouco estranho pensar em como essa “mola” deve ficar apertada indo ao museu ou qualquer coisa assim, onde não se pode nem correr. Da Semana vi a palestra “Movimento e Arte na Primeira Infância”, da Prof. Débora Alice da Silva – desmembrando exatamente essa sensação de aperto que todo educando sente na hora em que passa do parquinho pra sala de aula. Referências de monte, é claro, mas pra estudos posteriores – o Bruno vai direto ao assunto, o que ele tem pra falar estão em uma dúzia de painéis pros adultos lerem (e ver se se tocam de alguma coisa), todo resto é estar lá e presenciar a alegria da bagunça. A professora me deu uns pedagogos que não duvido serem ótimos, mas o que é que eu vou descobrir do livro de qualquer um deles, a essa altura do campeonato? Devem ter suas conclusões das aulas que tiveram ou deram, dos livros que leram, dos hobbies que tem.

 

 

Eles os deles, você os seus, eu os meus – junto com os que outros, como o SESC, me dão.